Como traçar um desenvolvimento de liderança?

“As melhores empresas para trabalhar lembram uma coisa que não muda: as pessoas com quem trabalham sempre serão pessoas.”

O ensinamento acima, de Robert Levering (fundador da Great Place to Work), deixa implícita a lição de que ter um olhar profundo para o ser humano é condição sine qua non para o desenvolvimento de liderança de impacto em uma organização. Você pode até ser bom em processos e produtos, mas se não souber cativar sua equipe, clientes e fornecedores, dificilmente terá grandes resultados.

A liderança é fundamental em todas as formas de organização humana, sobretudo, nas empresas. O gestor precisa conhecer os sentimentos humanos, despertar em seus colaboradores a fagulha da motivação e fazer de simples funcionários, membros imprescindíveis de uma equipe comprometida e vencedora. Precisa ter capacidade de persuasão, saber dirigir, orientar, motivar, comunicar-se, encantando seu time para que este se torne um núcleo de “missionários” de sua organização.

Neste artigo vamos mostrar o que é ser um líder genuíno, quais características imprescindíveis e o que fazer para desenvolver sua capacidade de comandar um time vencedor!

O que é liderar?

As livrarias estão soterradas de “livros supremos” sobre liderança. Dezenas de textos são publicados anualmente e, mesmo assim, não há um dogma sobre o assunto. Teoria X e Y de liderança, teoria dos traços, teoria situacional de Hersey e Blanchard, estilos de liderança de Kurt Lewin… As correntes teóricas são diversas, mas, afinal, o que é liderar?

Liderança, tomando por base uma síntese de diversos conceitos semelhantes, é o processo de influenciar as ações de um grupo organizado através da comunicação, em busca da realização de um objetivo. Um bom líder é a ignição da superação de uma equipe, mas também pode ser a âncora de uma empresa inteira.

Um estudo recente, publicado pela revista Quartz, revelou que para 75% dos norte-americanos, o chefe é a maior fonte de estresse em suas vidas profissionais. Sim, um mau comandante destrói seu próprio exército. Você deve inclusive se lembrar de uma pesquisa mais antiga, feita em 2012 pela Órion Partners, que mostrou que 47% dos entrevistados afirmavam que seus gestores os faziam se sentir ameaçados e não recompensados. Nesses casos, os gestores se tornaram uma poderosa fonte de problemas na empresa.

Um líder é um referencial, um catalisador de soluções — a ser admirado na empresa, um profissional focado que conquista sua autoridade por meio da compreensão e da confiança. Trata-se de um eterno inconformado, em uma busca incessante pela inovação, pela excelência de vanguarda. Ele recompensa fracassos excelentes e pune sucessos medíocres. Um líder de alta performance tem uma paixão ambiciosa e não um negócio mecanizado. E o melhor, sabe enxergar o que realmente importa.

Segundo o guru da gestão Tom Peters,

“O segredo para ter sucesso não está em ser capaz de se fazer uma lista com cem tarefas e concluí-la. Mas, de ser capaz de fazer e cumprir a lista do não, descartando-se as noventa e oito tarefas secundárias e concentrando todo seu esforço nas duas que realmente fazem diferença. Um líder mantém o foco. Ele conhece bem o perigo do que se pode definir como sobrecarga de iniciativa estratégica.”

As diferenças entre líder e chefe

Não sabe como ser um bom líder? O primeiro passo é compreender a diferença entre liderança e chefia, conceitos que podem andar juntos, mas que nem sempre estão atrelados. Ser chefe é ocupar uma posição hierárquica superior a outros colaboradores, sendo dotado do poder legítimo de forçar as pessoas a fazerem o que você deseja que seja feito (autoridade formal).

Diferentemente do chefe no sentido literal, o líder é o profissional que influencia e guia o comportamento dos outros para algo além de seus próprios objetivos pessoais: o chefe manda, o líder, conquista. Percebe a diferença?

Na verdade, espera-se que todo chefe seja também um líder, mas isso não necessariamente acontece. Aliás, é importante destacar que, dos grupos informais de uma empresa, emergem inúmeros líderes, que conduzem comportamentos mesmo sem ocupar postos supervisão, gerência ou direção.

O líder apaixona sua equipe, sabe enxergar e potencializar as competências de cada um, transformando um grupo de funcionários desinteressados, voltados aos seus próprios interesses, em uma verdadeira equipe coesa e homogênea, que rema de forma sincronizada rumo ao crescimento da organização — sob os olhos de seu líder, é claro! Ou, parafraseando Abraham Lincoln,

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.”

Diferenças entre um verdadeiro líder e um simples chefe

Chefe Líder
Dá ordens Atua como facilitador e motivador
Centraliza-se na disciplina Estimula a criatividade
Responde questionamentos Antecipa-se aos questionamentos
Tem visão de curto prazo Tem visão de longo prazo
Centraliza funções Trabalha com base no empoderamento
Postura autocrática Postura democrática

Como se tornar um líder

Aqui vale a pena trazer um estudo curioso. Uma pesquisa feita há alguns anos pela Robert Half, líder mundial em recrutamento especializado, consultou cerca de 300 presidentes, superintendentes, gerentes e diretores de organizações brasileiras de médio e grande porte para descobrir quais são as maiores virtudes e as piores características de um líder.

O levantamento concluiu que, de acordo com os gestores, as 3 principais qualidades de um bom líder são:

  • Inspirar outras pessoas (com 43,4% das indicações);
  • Ter ética (42%);
  • Ser capaz de tomar decisões (38,9%).

O interessante dessa pesquisa em relação a outras é que ela aponta também as características em um líder que invariavelmente resultam em fracasso. No Top 3 estão o desequilíbrio emocional (26,4%), a arrogância (19,3%) e a centralização (16,4%) como os maiores defeitos de um líder.

Outras características que favorecem o desenvolvimento de liderança

Ser Cativante:

Conquistar uma pessoa é difícil, mas encantar uma empresa inteira é dádiva reservada apenas aos que têm paixão e sabem transmitir verdade em seu discurso. Não se esqueça de comunicar-se com seus colaboradores, mas faça-o sabendo que um bom líder sabe envolver gestores, supervisores e demais funcionários para encontrar soluções para os piores problemas que a empresa possa enfrentar. Líderes são respeitados, não temidos.

Preparar-se constantemente:

Quer atingir o topo da excelência em liderança e alta performance executiva? Então compreenda que não somente os produtos mudam. As empresas mudam, os clientes mudam e seus colaboradores, também.

Que nos digam os nativos digitais da Geração Z, que começam a entrar no mercado de trabalho com novas posturas/demandas e que exigem uma nova abordagem por parte dos gestores. Se você usar a velha linguagem e os antigos métodos de direção para lidar com esses jovens, tenha a certeza de que o fracasso é líquido e certo.

Assim como um bom CEO precisa compreender as mudanças do mercado (e para isso, atualiza-se constantemente), é preciso também desenvolver e atualizar competências essenciais relacionadas à liderança (que mudam a todo instante), algo que um trabalho de coaching pode prover com perfeição.

Saber motivar

Gregory Mankiw, em seus Dez Princípios da Economia, dizia que as pessoas são movidas a incentivos, concepção que vai ao encontro da Teoria Motivacional da Expectativa, de Victor Vroom (uma das mais aceitas atualmente no mundo quando falamos em estudos sobre motivação).

Vroom acreditava que os funcionários ficariam motivados para um trabalho quando acreditassem que seu esforço resultaria em um desempenho esperado pela organização e que este desempenho, por sua vez, seria o “start” para que ele recebesse as recompensas que serviriam para preencher suas metas pessoais (promoções, aumentos salariais, reconhecimento da diretoria, liderança de projetos, etc.).

Não sabe como ser um ótimo líder? Eis aqui o passo inicial: saber despertar a chama interna da motivação nos funcionários, a fim de que eles se tornem também “pequenos líderes” dentro de suas atribuições, autônomos, proativos e capazes de tomar decisões em sua esfera de responsabilidade. Essa transformação na postura dos colaboradores libera o CEO para se dedicar às funções estratégicas da empresa (e não mais perder tempo “apagando incêndios”, resolvendo problemas operacionais que não conseguem ser resolvidos pela equipe).

Saber ouvir

Antes de se queixar de um profissional, um bom líder busca compreender as causas da sua baixa produtividade/fraco comprometimento. Essa abertura quebra barreiras de envolvimento dentro da empresa, muitas das quais costumam até gerar animosidade entre gestores e funcionários. Um líder genuíno prima pelo diálogo e essa característica costuma abrir portas para conquistar os colaboradores. A palavra de ordem aqui é parceria.

As lições do péssimo líder: o que NÃO fazer na liderança de sua equipe

Autoritarismo

Manda quem pode, obedece quem tem juízo? Se é assim que você pensa, provavelmente sua empresa deve estar enfrentando dificuldades no mercado. No mundo competitivo atual, não se cresce com apertadores de parafuso, oprimidos sob o estalar da chibata. Uma empresa vencedora tem funcionários livres para inovar, respeitados pela empresa e que enxergam a organização como seu próprio negócio (e não como sendo eles apenas mais algumas peças de uma engrenagem).

Saem, portanto, as políticas de recursos humanos, entram as modernas concepções de Gestão de Talentos (também chamada de Gestão do Capital Humano), perspectiva que vê o colaborador como o mais importante ativo da empresa. A consequência dessa visão é a concessão de maior liberdade de atuação e poder de inovação ao time, descentralização e estímulo ao trabalho em equipe, por meio de projetos com especialistas de diversas áreas.

Reter todas as informações da empresa

Um CEO que nega a informação, não desenvolve a empresa, uma vez que os funcionários jamais saberão o que estão fazendo e qual o papel de suas atividades no desempenho global do negócio.

Outro problema dessa visão ultrapassada de gestão é a sensação dada aos colaboradores de que a empresa não confia neles. Por fim, sem informação, não há inovação, concorda? Pois bem. Esperamos que sua empresa esteja distante desse tipo de dificuldade gerencial.

Não ser ético

Não estamos falando de ter uma empresa enlameada na Operação Lava Jato. Um “líder” que se acostuma a fazer acordos e não os cumpri, não é merecedor de respeito, na visão dos colaboradores. E certamente não terá.

Estabelecer metas inalcançáveis

Você pode ser visionário, mas não pode perder o pé da realidade em relação à equipe que comanda. Metas impossíveis de serem atingidas só contribuem para macular o clima organizacional, desgastar as relações internas, aumentar as taxas de turnover e absenteísmo. E não é isso que você quer, certo?

Tomar todos os créditos para si mesmo

Eu ganho, nós empatamos, vocês perdem? Por mais absurdo que pareça, muitos gestores tomam para si as causas do sucesso da equipe, ignorando a eficiência e a competência de seu time. Quem preza pelo desenvolvimento de liderança como um estado permanente, não pode nem pensar em adotar esse tipo de discurso.

Não dedicar um tempo para estreitar relações com seus colaboradores

Pesquisas mostram que líderes mais próximos de sua equipe conseguem ampliar a sua produtividade em até 65%. Conquista é algo que se renova todos os dias. Missão, visão e valores da empresa devem ser trabalhados diariamente, um trabalho de endomarketing que começa com a atuação do próprio CEO, fazendo incursões regulares na empresa para conversar amistosamente com cada profissional, mostrando humildade, proximidade e transmitindo a ideia de que todos estão no mesmo barco.

As práticas mais eficientes de um líder

Um estudo publicado no ano passado pela Harvard Business Review analisou como executivos de alta performance (CEOs, presidentes, conselheiros ou chefes de unidades de negócio) se comportavam diante de momentos de crise. Crise econômica, exposição negativa de sua imagem na imprensa, dívidas milionárias e mudanças na legislação que inviabilizavam o negócio foram alguns dos cenários em que gestores foram avaliados.

A partir de suas ações, adotadas sob forte pressão, chegou-se a dois grupos de resultados distintos (a das empresas que venceram a crise e as menos eficazes nas soluções dos problemas).

Por meio do cruzamento de diversos dados, como modelos de comando, estilos de liderança e características da equipe, foi constatado que os dois grupos possuíam líderes dotados de virtudes como iniciativa, pensamento analítico e conceitual, capacidade de liderança e poder de influência. Ou seja, era algo a mais que diferenciava os líderes vencedores, dos estagnados.

Mais estudos foram feitos e descobriu-se que as competências mais marcantes dos líderes bem-sucedidos eram:

  • Foco no cliente;
  • Compreensão dos outros;
  • Trabalho em equipe, de forma cooperativa (não autocrática).

Na Era da Inteligência Artificial, é a capacidade de desenvolver inteligência emocional para enxergar os outros em momentos de extrema pressão que diferencia os grandes líderes dos demais. Liderança é interação entre pessoas, através da qual um bom comandante consegue enxergar o ponto de vista do outro (fornecedores, clientes, colaboradores), de forma a encontrar caminhos harmônicos para alcançar o ápice do desempenho de todos em busca de um resultado fora do comum. O filósofo Sócrates dizia que

“Sob a direção de um forte general, não haverá jamais soldados fracos.”

E isso passa por saber ouvir as pessoas, administrar níveis de estresse e potencializar competências.

Você pode acompanhar mais sobre esse case aqui!

Quer saber qual seu estilo de liderança? Existe um teste de liderança bastante interessante, aplicado de forma eletrônica pela Universidade de Kent, no Reino Unido. Você pode fazê-lo através desse link!

A importância de se manter informado

Informação e liderança de excelência caminham juntos. Isso porque um verdadeiro comandante deve compreender o dinamismo do mercado e estar sempre pronto para mudar sua maneira de interagir com as pessoas, já que não somente o perfil de colaboradores se altera ao longo dos anos, mas também a forma de integrá-los na estrutura da empresa.

Vale lembrar de que há até algumas décadas a departamentalização era considerada a melhor forma de trazer resultados robustos às organizações. Hoje, compreendeu-se que formar equipes multidisciplinares, com competências e habilidades diversas, em projetos temporários, é muito mais produtivo, reduz custos e elimina ruídos de comunicação interdepartamentais (além de prover uma visão mais sistêmica da empresa a todos os envolvidos). Ter esse tipo de insight passa por reciclagem e aprimoramento em programas de treinamento para executivos.

Como ser um líder bem informado?

Programas de treinamento de gestores (para todo o time de líderes)

Existem programas de excelência em treinamento de executivos, como o High Performance Executive Leadership, que guiam e orientam a forma como líderes podem transformar o futuro de suas empresas a médio e longo prazo, lapidando competências para que estes consigam enxergar os melhores caminhos (de acordo com as peculiaridades de sua empresa) que unam recursos, pessoas e estratégias em busca do alcance da missão e valores da organização. Voltados ao desenvolvimento de todo o time de líderes da organização.

Vale destacar que um programa de alta performance executiva (High Performance Executive) chega a aumentar a produtividade dos profissionais de gestão em até 60%.

Coaching (programa de treinamento para executivos, de forma individualizada)

Muitas vezes, quem está fora do epicentro de um furacão enxerga detalhes que, quando pressionados, não somos capazes de perceber. Um trabalho de coaching é excelente para auxiliar o líder a enxergar uma nova perspectiva sobre sua direção, além de fundamental para aprimorar competências de comunicação, negociação e delegação de tarefas. Pensamento estratégico, gestão do tempo, administração de conflitos, motivação da equipe, comunicação e relacionamento com fornecedores e clientes são apenas algumas das habilidades que serão treinadas de forma individualizada em um trabalho de coaching.

O altíssimo ROI trazido por esses profissionais tem aumentado assustadoramente a procura por coaching executivo, nos últimos anos. Vale a pena saber mais sobre o tema.

Mestrado Profissional (MP)

O Mestrado Profissional é uma modalidade de pós-graduação stricto sensu voltada à capacitação de executivos experientes (ocupantes de postos de cúpula em grandes empresas), combinando a profundidade do conhecimento teórico de um mestrado com as aplicações práticas ainda mais intensas do que em um MBA.

Nesse tipo de pós-graduação (que foi regulamentada há menos de 2 anos), o aluno é impulsionado a trabalhar reflexões sobre questões organizacionais e desenvolver saídas criativas para os desafios diários que o mercado impõe. É mais uma forma relevante de se manter sempre informado e atualizado em suas estratégias de liderança e gestão.

Cursos on-line para gestores

Torceu o nariz para essa ideia? E se eu te disser que algumas das melhores universidades do mundo (como Universidade de Michigan, Oxford e Harvard) oferecem cursos on-line para gestores, muitos deles, focados em desenvolvimento de lideranças?

Conclusão

Na era da mobilidade, em que empresas se moldam ao sabor de tecnologias como Computação em Nuvem, Big Data e Internet das Coisas (IoT), dados, todos têm. O que faz mesmo a diferença no contexto competitivo atual é ter uma equipe treinada e condicionada a transformar dados brutos em informações gerenciais poderosas à organização, que permitam enxergar luz onde a concorrência só vê escuridão. Em outras palavras, o que faz mesmo a diferença no sucesso de uma organização ainda é o material humano, fortalecido com a potencialização das habilidades de cada colaborador. E esse poder de time só pode ser alcançado com a presença de um verdadeiro líder.

Jim Kouzes e Barry Posner marcam a liderança como “a capacidade de enxergar a frente, de vislumbrar possibilidades empolgantes e de reunir os outros em torno de uma visão comum do futuro”.

Essa habilidade depende de vocação, mas também de treinamento permanente, que deve ser materializado por meio de programas de alta performance (como o Leadership Training, cujo objetivo é o de lapidar e capacitar líderes para atingirem o “estado de arte” no desempenho de cada um de seus colaboradores).

Por muito tempo, os estudos sobre lideranças giravam em torno dos traços. A partir dessa perspectiva, passou-se a dar importância ao comportamento do líder para, por fim, compreender que liderança de impacto está intrinsecamente ligada às questões contingenciais (ou seja, para cada situação, haverá um formato de liderança com comportamentos adequados, fruto da mistura entre traços, estilos e momento).

A partir dessa elucidação, o mundo dos negócios compreendeu que o desenvolvimento de liderança passa necessariamente pelo estímulo à versatilidade de um profissional cuja ascendência sobre os demais deve adquirir contornos distintos, de acordo com cada tipo de grupo, situações e contextos. E isso depende de aprimoramento constante, uma vez que se as pessoas e as organizações mudam, você também precisa rever sua forma de liderar. Ou, tomando emprestadas, por fim, as palavras de Peter Drucker,

“Se você quer algo novo, você precisa parar de fazer algo velho.”

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